Introdução: A glotoplastia, como a técnica de Wendler, é amplamente utilizada para feminização vocal em mulheres transgênero, aumentando a frequência fundamental (F0) e melhorando a qualidade de vida. Contudo, complicações pós-operatórias podem impactar os desfechos vocais, demandando avaliação. Objetivo: Analisar as complicações associadas à glotoplastia de Wendler e sua influência nos parâmetros acústicos e na percepção subjetiva da qualidade vocal em mulheres transgênero. Métodos: Revisão sistemática de três estudos publicados entre 2017 e 2025, identificadas no PubMed com os termos "Wendler Glottoplasty" ou "Glottoplasty" combinados com "Acoustic Measures" e "Voice Quality", filtradas por 10 anos e tipo (metanálise/revisão sistemática). Foram avaliados F0, tempo máximo de fonação (TMF), escore TWVQ e complicações reportadas. Resultados: A glotoplastia de Wendler elevou a F0 em 1,21 desvios-padrão (95% CI 0,65-1,77, p<0,0001) e a frequência fundamental de fala em 0,86 a 12,28 desvios-padrão (p<0,0001) entre as técnicas. O TMF reduziu significativamente (p<0,001), com queda média não especificada. O escore TWVQ melhorou em 82% (p<0,001), refletindo maior satisfação vocal. Complicações pós-operatórias foram raras, com risco baixo (inferior a 5%), incluindo alterações transitórias na amplitude vocal e sem diferenças no escore GRBAS (p=0,339). Não houve relatos significativos de disfonia persistente ou necessidade de revisões cirúrgicas. Conclusão: A glotoplastia é segura e eficaz, com complicações mínimas que não comprometem a qualidade vocal a longo prazo. A elevação da F0 e a melhora na percepção subjetiva reforçam seu papel na feminização vocal, embora a redução do TMF sugira ajustes técnicos para otimizar resultados. Esses achados destacam a importância de monitoramento pós-operatório para maximizar benefícios. Estudos adicionais são necessários para avaliar a estabilidade dos resultados em longo prazo.
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